Aécio Neves: o brasileiro do ano de 2009 pela revista IstoÉBoa parte do mundo definirá 2009 como um ano que não deixará saudades. O Brasil, não. Aqui, os 12 meses que chegam ao fim podem ser reverenciados no futuro como os da afirmação definitiva do País como uma força global. Octávio Costa e Sérgio Pardellas Com mais de 90% de aprovação, o governador de Minas Gerais inova em seu modelo de gestão, arruma as finanças do Estado e desponta como alternativa do PSDB à Presidência da República em 2010. ![]() Aécio Neves Assim que entra no carro, Aécio Neves bate a mão direita nos sapatos para tirar a poeira, abundante nas obras do complexo administrativo que seis mil operários constroem no extremo norte de Belo Horizonte (MG). Ao circular pela Linha Verde, a via expressa que liga a futura sede do governo ao centro da capital mineira, o governador acompanha com atenção a passagem de cada viaduto. Pouco antes, no canteiro de obras, ele recebera familiares de 13 escritores e poetas mineiros cujos nomes agora batizam os elevados. Numa iniciativa que transforma a Linha Verde em uma espécie de estrada literária, um trecho da obra de cada autor está gravado em pilastra embaixo do viaduto. “Todos os caminhos circulam em demanda da Liberdade”, diz o totem em homenagem à poetisa e ensaísta Henriqueta Lisboa (1901-1985). Nesse momento, Aécio confirma a impressão que tivera alguns viadutos antes: o tamanho acanhado das letras dificulta a leitura da mensagem. “Tem de mudar. A ideia é que as pessoas sejam envolvidas pela literatura”, comenta. Um assessor esclarece que as inscrições são provisórias. “Mas, se não mudar logo, o provisório vira definitivo”, afirma o governador. ![]() Com a irmã Andrea, parceira desde a infância ![]() Ao lado do avô Tancredo, que o levou para a política A cena reflete o estilo Aécio de tirar da frente os problemas, sejam eles grandes ou pequenos. Ousado e agregador, ele tem índice de popularidade superior a 90%, de acordo com o Vox Populi. É o Brasileiro do Ano de ISTOÉ na categoria Política por consolidar o sucesso de seu método de gestão e apresentar-se como alternativa pós-Lula no cenário nacional. Em Minas Gerais, só depois de sanear as finanças estaduais, Aécio colocou em execução o sonho de transferir toda a máquina direta do Estado para a chamada Cidade Administrativa. Resgatou assim um movimento começado nos anos 1940 pelo então prefeito Juscelino Kubitschek (1902-1976), que descolou o eixo de desenvolvimento de Belo Horizonte para o norte ao criar o conjunto arquitetônico da Pampulha. Com projeto de Oscar Niemeyer, o mesmo arquiteto que idealizou a Pampulha, Aécio está levantando em uma área de 804 mil metros quadrados um complexo capaz de concentrar 16 mil funcionários, 18 secretarias e 25 órgãos públicos, além da sede do governo. “Estamos levando a cidade para onde ela tem de crescer”, diz o governador. São, no total, cinco edifícios, incluindo um centro de convivência e um auditório para 500 pessoas cujo traçado lembra o da Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, uma das maiores referências da arquitetura moderna brasileira. Em dois edifícios de 15 andares cada um serão alojados as secretarias e órgãos estaduais, hoje espalhados por 53 prédios. Aécio não esconde o entusiasmo ao falar sobre o complexo, em especial sobre o Palácio Tiradentes, de onde planeja despachar ainda no primeiro trimestre de 2010. No térreo do prédio, foi criado um vão de 147 metros de comprimento, duas vezes mais extenso do que o do Museu de Arte Moderna de São Paulo. “É o maior vão livre de concreto do mundo”, compara o governador. Embora grandioso, o complexo não onerou em nenhum centavo o Tesouro do Estado. Com orçamento estimado em R$ 1,2 bilhão, as obras são bancadas pela Codemig, a estatal abastecida pelos royalties das empresas de mineração. E vai representar uma economia anual de R$ 85 milhões aos cofres públicos, devido ao corte de despesas atualmente feitas com aluguéis, transporte e telefonia. Aos 49 anos, Aécio inspira-se no avô, mas imprimiu estilo próprio à política O governador, no entanto, resiste à ideia de que a Cidade Administrativa será o grande marco de seus dois mandatos, iniciados em janeiro de 2003. Para ele, os principais feitos do período são a reorganização das finanças do Estado e a recuperação da autoestima dos mineiros. “Posso falar com a boca cheia. Minas mudou”, diz Aécio. Ao dar um panorama da guinada, ele lembra que no primeiro ano de governo teve R$ 3,6 bilhões para investimento. Em 2009, esse valor saltou para R$ 11 bilhões. A mudança deve-se a uma política batizada como Choque de Gestão, que sanou as finanças e, na sequência, modernizou a máquina do Estado. “Hoje há uma gestão de resultados em todas as áreas do governo”, esclarece Renata Vilhena, secretária de Planejamento. “Todo ano, assinamos com o governador as metas a serem alcançadas.” O acordo de resultados é repassado em cadeia, com metas distribuídas para todas as equipes da engrenagem estadual. Assim, o funcionário que atua no atendimento à mulher em período pré-natal, por exemplo, sabe o impacto do trabalho na redução do índice de mortalidade. O desempenho das equipes pode ser acompanhado por painéis de controle com luzes. “Todos se enxergam dentro das metas”, afirma Renata. De dois em dois meses, o vice-governador, Antonio Anastasia, reúne o secretariado para analisar o desempenho dos diversos setores da administração e, quando necessário, ajudar a definir estratégias. ![]() "Não é conversa de mineiro. Estou apresentando uma proposta para o partido com muita sinceridade" Aécio Neves O resultado do trabalho afeta o bolso dos funcionários públicos. Em outubro, foram distribuídos cerca de R$ 300 milhões de bônus entre aqueles que cumpriram as metas. É o segundo ano consecutivo que o governo mineiro atua de forma similar à de muitas empresas privadas. Só que, em vez de lucros, distribui bônus. Com a engrenagem girando sem atritos, o governador é dono de uma agenda atribulada, mas não deixa de aproveitar a vida. Aos 49 anos, solteiro, ele responde com bom humor às críticas de que viaja demais para o Rio de Janeiro, onde nasceu e vive sua filha, Gabriela, 17 anos. “Os mineiros não reclamam”, ressalta o governador. “Eles me reelegeram com quase 80% dos votos válidos.” Natural de Belo Horizonte, Aécio mudou-se aos 11 anos para o Rio com os pais, o deputado Aécio Ferreira da Cunha e Maria Inês, a filha mais velha de Tancredo Neves. Só deixou o apartamento da família aos 22 anos, quando o avô materno convocou-o para participar da campanha ao governo de Minas. Eleito Tancredo, Aécio tornou-se seu secretário particular e não saiu mais da política. Por quatro mandatos consecutivos foi deputado federal, sendo eleito presidente da Câmara em 2000. Apesar de escaldado pelos bastidores da política, fica emocionado diante da lembrança de que em 2010 serão completados 25 anos da morte de Tancredo. Depois de um momento em silêncio, lembra outra data: “É também o centenário do nascimento de Tancredo.” ![]() O governador nas obras da futura sede do governo 2010 também tem tudo para marcar a trajetória de Aécio, potencial candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. “Presidência é destino”, diz, repetindo uma frase cunhada pelo avô. Ainda assim, Aécio deseja que o partido defina logo quem será o candidato tucano à Presidência. Caso o prazo se estenda, prefere concentrar-se na administração do Estado e, em março, começar a campanha para o Senado. Seu principal concorrente na disputa tucana, o governador de São Paulo, José Serra, defende a ideia de que a escolha do candidato seja feita apenas em março. “Não é conversa de mineiro não. Estou apresentando uma proposta para o partido com muita sinceridade”, comenta Aécio. “Não seria nenhuma frustração me candidatar ao Senado.” Seja qual for a decisão do PSDB, quando passar o governo para o vice Anastasia, Aécio poderá se orgulhar de ter deixado Minas nos trilhos. 5/12/2009 as 17:27 Sem comentários » |
Aécio Neves entre as personalidades mais influentes da revista Época![]() Revista Época E vale lembrar que Aécio foi indicado pela revista em 2007 e 2008. 5/12/2009 as 15:31 Sem comentários » |
Aécio Neves criou presídio modelo para detentas gestantesAécio Neves criou presídio modelo para detentas gestantes
29/11/2009 as
11:50 Sem comentários » View more presentations from minasempauta.
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Em Minas, a primeira-irmã e conselheiraCom atuação discreta, Andrea é influente nas campanhas e no governo do irmão Irmã mais velha do governador mineiro Aécio Neves (PSDB), Andrea Neves aparece raramente em eventos oficiais e quase nunca é vista subindo as escadarias do Palácio da Liberdade, rumo ao gabinete do presidenciável. ![]() Andrea Neves diante da sede do SERVAS (Gualter Naves, AE) Não costuma frequentar palanques ou falar com a imprensa. No governo de Minas, ocupa uma função de pouca influência, tradicionalmente dada às primeiras-damas. A descrição é de uma coadjuvante, mas, na visão de aliados e adversários, a jornalista de 50 anos tem, na prática, o papel de uma das principais conselheiras e executivas da administração tucana. Após coordenar a comunicação na campanha eleitoral do irmão para o governo do estado, em 2003 ela assumiu a chefia do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) - uma associação civil ligada ao governo que desenvolve projetos sociais em parceria com a iniciativa privada. Desde então, se divide entre a entidade e a chefia do Grupo Técnico de Comunicação do Governo, conselho que cuida da imagem do governador, das secretarias, empresas e demais órgãos oficiais. Os representantes definem da agenda de Aécio aos rumos da verba publicitária do estado. De 2003 a 2008, as despesas somaram R$ 657,4 milhões 8/11/2009 as 10:28 Sem comentários » |
“Minas, ao contrário de São Paulo, não tem a volúpia do antagonismo” - diz Antônio Anastasia no Valor EconômicoGovernador de Minas Gerais a partir de abril do próximo ano e provável candidato do atual titular, Aécio Neves (PSDB), à sua sucessão, Antonio Augusto Junho Anastasia afirma que a boa avaliação da gestão atual deverá fechar o espaço para a ascensão da oposição, independentemente de quem venha a ser o candidato em 2010. César Felício, de Belo Horizonte, para o Valor Econômico ![]() Professor Anastasia palestra sobre a reforma administrativa na Faculdade de Direito Milton Campos Sem experiência como titular de chapa eleitoral, Anastasia é frequentemente comparado com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo ano. O vice-governador resiste à comparação, argumentando que, ao contrário de Dilma, sua participação na eleição do próximo ano está ainda longe de uma definição. A possibilidade de Aécio concorrer à presidência da República e as divisões dentro do PT e PMDB frearam as definições em Minas para a disputa do governo estadual em 2010. Mas Anastasia é o único possível postulante no amplo espectro de partidos que gravitam em torno de Aécio. A única alternativa ao seu nome citada entre os aliados do Palácio da Liberdade é uma improvável composição com o PMDB, tendo o atual ministro das Comunicações, Hélio Costa, como candidato. Na quinta-feira, o governador reuniu sua base de apoio na Assembleia em um coquetel no Palácio das Mangabeiras, com a presença de Anastasia. No encontro, Aécio afirmou que irá trabalhar para formar uma coligação unindo PSDB, DEM, PP, PTB, PDT, PR, PSB e PV em torno de seu candidato, mas não mencionou o nome do vice, que, ainda não lançado, ocupa o último lugar nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 5%. |







