Fofoca e eleição 2010: o caso AécioO arqueiro que dispara uma flecha sabe que não tem como fazê-la recuar ao arco. Com o jornalista tarimbado e responsável acontece algo semelhante, principalmente quando se trata da flecha da calúnia. Na noite do último domingo (01/11/2009), o jornalista Ricardo Noblat, autor do blog político de maior audiência no Brasil, escreveu quatro comentários seguidos no seu twitter (@BlogdoNoblat). Era para tratar de um assunto que havia pipocado durante aquele dia na rede social mais em voga atualmente. No limite dos 140 caracteres de cada post, Noblat contou o seguinte: Passei o dia atrás da história da suposta agressão de Aécio Neves à namorada. Ouvi 6 pessoas que estavam na festa do hotel Fasano. Resposta delas: não viram nada. Há pouco, localizei Aécio e a namorada, Letícia. Os dois passam o fim-de-semana em Florianópolis. “Isso é uma nojeira. Não aconteceu nada. Meu azar foi me apaixonar por um político,” me disse Letícia. Aécio não quis comentar. Letícia disse mais: “isso me parece exploração política.” Berzoini, presidente do PT, deu a notícia no seu twitter. De fato, o petista Ricardo Berzoini (@RicardoBerzoini) havia publicado três comentários, também seqüenciais, reproduzindo as acusações veiculadas naquele dia pelo jornalista Juca Kfouri, em seu blog e em seu twitter. Coube a Berzoini se explicar logo em seguida: O Sergio Guerra, presidente do PSDB, me ligou assegurando que é falsa essa notícia do Aécio, publicada no blog do Juca Kfouri. Creio que assuntos desse tipo devem ser sempre bem apurados, para evitar que se cometam injustiças. Kfouri é um jornalista experiente. Mas as versões de fatos sempre podem ser apimentadas pelas supostas testemunhas. Cabe ao jornalista avaliar suas fontes. É inacreditável, mas quem quiser pode conferir os fatos no twitter de ambos. Presidente de um grande partido brasileiro e político calejado, com décadas de militância, Ricardo Berzoini reproduziu um ataque sem qualquer fundamento à reputação de Aécio Neves, potencial adversário da petista Dilma Roussef na disputa eleitoral de 2010. Momentos depois, afirmou, candidamente, que “assuntos desse tipo devem ser sempre apurados, para evitar que se cometam injustiças”, pois “as versões dos fatos podem se apimentadas pelas supostas testemunhas”. Se realmente acredita nesse procedimento, por que, então, Berzoini não apurou melhor antes de passar adiante a história fantasiosa? A resposta é simples: a internet virou uma máquina de triturar reputações, e salve-se quem puder. O comportamento do presidente do PT é típico dessa nossa era dos vorazes liquidificadores digitais. Antes, uma fofoca nascia numa roda de comadres, amigos ou colegas de trabalho e podia levar semanas para chegar a uma coluna social. Publicada, contudo, manteria seu status de fofoca – o tempero da vida, como alguém já disse – e não mais que isso. Hoje, com a velocidade dos blogs, do Orkut e do twitter, tornou-se muito fácil plantar fofocas na internet e ter uma colheita garantida de malefícios contra a reputação alheia. No mundo da internet, não há a menor relevância se uma fofoca não vier a ser comprovada. Na seara digital, poucos são os que se dispõem a fazer como Ricardo Noblat, que entrevistou seis pessoas presentes na festa da Calvin Klein no hotel Fasano. Depois de localizar e conversar com elas, Noblat saiu de mãos abanando, mas pelo menos não induziu seus leitores ao erro. E o que fez Berzoini? Ora, a flecha da calúnia escapuliu do seu arco antes da hora… e, agora, paciência! Noblat e Berzoini tiveram atitudes diferentes, mas não é pelo fato de um ser jornalista e de o outro ser um político. A posição de ambos exige seriedade, respeito a lei, rigor e compromisso com a verdade. Noblat mostrou que está a serviço de seus leitores. Berzoini comprovou que trabalha apenas para tentar demolir a imagem de Aécio Neves, pré-candidato de um partido adversário na corrida presidencial de 2010. Certamente, foi preciso esforço organizado para fazer uma acusação dessa gravidade contra Aécio andar sem nenhuma comprovação e sustentação nos fatos. Nas redações da imprensa, sabe-se que plantação da história da suposta agressão durou vários dias sem qualquer sucesso. Outros jornalistas receberam a “dica” e, obviamente, correram atrás para tentar confirmar, mas em vão. À semelhança de Noblat, não acharam quem tivesse visto e testemunhado a tal cena. Os onipresentes paparazzi dessa vez não tinham fotos, nem mesmo se tratando de um evento fashion de celebridades, da Calvin Klein no templo do hotel Fasano. Não havia sequer uma mísera “fotinha” de celular, dessas que sempre aparecem em tais ocasiões, tiradas pelos simples mortais. A ausência de qualquer forma de comprovação impede um boato de virar noticia na imprensa responsável. O que é bom para todo o pais. Mas, nesse caso, a esse argumento, numa absurda inversão de valores, a aparentemente organizada rede de distribuição da acusação responde, nos últimos dias, com um mantra: a imprensa está blindando o assunto! E ponto final. E a morte do ônus da prova! A politização do assunto é evidente. Governador muito bem avaliado em seus dois mandatos, com uma pré-candidatura muito consistente à Presidência da República, Aécio Neves está sendo vítima de uma campanha orquestrada, que busca transformar uma fofoca sem fundamento em tema da sucessão de 2010, para abalar suas legítimas pretensões de concorrer ao Planalto. Não é à toa que as acusações buscam atingi-lo naquilo que mais o diferencia de seus adversários Dilma Roussef e José Serra: a simpatia, a delicadeza no trato com as pessoas, o espírito de conciliação. Ao mirar esses atributos inquestionáveis, a reprodução da fofoca tentar transformar Aécio num cara antipático, nivelando-o nesse particular com Dilma e Serra. Sem falar, que se almeja também tirar de Aécio a natural simpatia feminina. Se considerarmos que ainda falta quase um ano para a votação de 2010, os tristes e pesados ataques pessoais que marcaram as eleições de 1989 poderão parecer um mero conto da carochinha diante das baixarias que parecem se anunciar no horizonte da internet. Sir Winston Churchill não conheceu o twitter, mas a frase seguinte cabe em 140 caracteres. “A mentira roda meio mundo antes da verdade ter tido tempo de colocar as calças.” Gabriel Sousa Marques de Azevedo está no twitter @gabrielazevedo. postado em 2/11/2009 as 17:16 |
Comentários
é muito fuzuê por nada hein?
recebi hoje uns 13 e-mails, sem contar os intermináveis twits sobre o assunto.
Se a Globo vai começar o carnaval com 3 meses de antecedencia; o twitter estreiou a guerra política que vai marchar por 2010.
grande artigo,
parabéns.
Esse é o lado ruim da política. Desde que o mundo é mundo, os seres humanos se degladiam pelo poder, e quase sempre jogando sujo para conseguir isso. Lula e a turma do PT sabem muito bem que Aécio Neves é o candidato que tem chance real de derrubar o projeto de poder do PT ainda no 1º turno de 2010. Como não conseguem um fato que manche a biografia do tucano de Minas, visto que Aécio é um dos Governadores mais bem avaliados do país, e que sua gestão é sólida, com mecanismos claros e objetivos, que fazem com que o choque de gestão seja não um plano utópico de governo, mas uma experiencia de algo que realmente deu certo no Brasil. Então, é preciso manchar a imagem pessoal do candidato. Essa é apenas a primeira das muitas artimanhas que a tropa de Dilma Rousseff usará até Outubro de 2010. Minar a vida pessoal é o 1º passo. Não colou por enquanto. Faltam as provas. Fica a possibilidade do processo. E um alerta ao povo do Brasil. Em 2010 vamos escolher entre o populismo sem contrapartida, ou um modelo de desenvolvimento sólido e continuado, com mecanismos claros e um objetivo bem traçado. Você, leitor, fica com o que?
viva o Aécio! viva a mordaça! viva a censura!
Viva sua falta de argumento e sua capacidade em ser um anônimo com neurônios não mais numerosos do que os caracteres de sua mensagem.
Sensacional!!! Você me enche de orgulho, viu?!
quanta ingenuidade! aliás, quais são os interesses? um emprego fantasma em Brasília?
pobres carneirinhos!
Se revele e debata frente a frente, meu caro. Ou você quer me convencer que veio aqui por acaso a essa hora do feriado?
“Se realmente acredita nesse procedimento, por que, então, Berzoini não apurou melhor antes de passar adiante a história fantasiosa? A resposta é simples: a internet virou uma máquina de triturar reputações, e salve-se quem puder.”
Patético como o autor faz campanha para Aécio, o que é lícito, mas propala as mesmas acusações rasas que condena nos demais. Berzoini não tem que apurar nada, ele não é repórter. Replicou nota de um repórter com história e credibilidade na imprensa, e isso não é nenhum crime. Aliás, a nota está lá ainda, RATIFICADA por Juca Kfouri, que deve ter seus motivos para mantê-la, assim como tantos outros têm para negá-la. Isso é do jogo. Se alguém tivesse que dar alguma explicação, seria Kfouri, não Berzoini, que não inventou nada nem tem que fazer apuração de notícia. Mais: ainda que Kfouri tenha tido má intenção em sua nota (o que não acredito, pois um jornalista tarimbado não jogaria sua reputação na lama assim), não seria a serviço do PT, porque a única coisa que Juca NÃO É é petista. Leia mais de Juca e vc vai ver. Se vc é assim tão preocupado com Aécio tente avisá-lo que suas noitadas no Rio e alguns hábitos pouco salutares circulam cada vez mais na blogosfera e logo, logo, vai ser difícil conter essas notícias. Ele pode segurar os jornais de Minas, mas não a imprensa nacional, sobretudo alguns dos veículos mais importantes, controlados com mão-de-ferro por José Serra. Pensando bem, não diga nada, Aécio sabe de tudo isso. Se não faz mais, é porque it’s beyond your control. A política, às vezes, é um VÍCIO. Que o diga Fernando Collor.
Só não vamos ser hipócritas falando de “máquina de triturar reputações”. Se a mesma nota falasse de alguém do PT, a Globo e a Veja já teriam feito especial repercutindo, independente dos desmentidos. Se não acredita em “blindagem” da imprensa e condena tão veementemente a “politização” de assuntos pessoais, pergunte-se porque a filha de Lula foi usada de forma tão suja em 89 e tudo foi repercutido na imprensa, custando a ele sua primeira eleição, enquanto do filho de FHC com a jornalista da Globo (durante o casamento com D. Ruth), embora até as rotativas conheçam toda a história, JAMAIS qualquer veículo da grande imprensa deu uma linha sequer. Defenda quem você quiser, faça campanha para Aécio, é um direito seu. Mas evite o ridículo. Hipocrisia é feio demais!
Caro Gabriel,
Não sou de nenhum partido político. Costumo dizer que em eleição, não tenho partido,tenho candidato. E ocorre com muita frequência de em cada eleição votar em candidatos de partidos diferentes. Sou neutro em termos de preferências eleitorais; procuro votar de acordo com o que considero o MELHOR para minha cidade/estado/país.
Não sou Aécio,Serra nem Dilma. Os 2 primeiros já me causam asco há bastante tempo. Por mim, qualquer um dos 2 que venha a ganhar a eleição ano que vem será um ENORME atraso para o país. Não diferente uma vitória de Dilma.
Isto bem posto e explicado, vamos ao que REALMENTE interessa: independente de eu não ter motivos “eleitorais” para expor a opinião que aqui vai escrita (no sentido de dar a opinião somente para prejudicar um e “ajudar” outro, que seria de minha preferência), me considero um indivíduo bastante politizado. Ainda, sou belo-horizontino e mineiro com muito orgulho. Por isso mesmo SEMPRE acompanho o que acontece com a política do meu (nosso) estado. O que quero dizer nesse comentário, é que mesmo que assim como é errado usar de uma fofoca (caso seja) para desprestigiar um político ou quem quer que seja, TAMBÉM é errado se aproveitar da mesma fofoca (caso seja),defendendo o “ofendido” e colocando-o como se fosse uma pessoa agradabilíssima e cheia de qualidades admiráveis. ISSO, amigo, Aécio NÃO É! Não tenho opinião sobre a pseudo-agressão.Só opino sobre o que é SÓLIDO, para não cometer uma injustiça, gostando ou não da pessoa.
Mas daí a você colocar que Aécio se destaca de seus adversários por ser “delicado no trato”,”simpático”, e outras coisas mais, é, como se diria na gíria, “forçar a amizade”. Um governador que CENSURA a imprensa mineira e a domina com mão de FERRO, é simpático ONDE?? Um governador que canta e conta aos 4 ventos que a educação em MG está de vento em popa para que todos creiam no país que nossa educação realmente evoluiu, e isso é FALSO (entre em uma escola estadual, verifique o estado das mesmas, o nível dos alunos… olhe o que ele fez/faz com os professores, verifique bem a FUNDO nosso sistema educacional e depois concorde com ele…),é um político CAPAZ de dirigir o PAÍS??
Alguém que demite funcionários que têm coragem de apontar seus erros com uma rapidez incrível, sem aceitar a mínima crítica (se você é jornalista,sabe do que estou falando), esquecendo que o país JÁ passou por uma ditadura e não precisa de outra - sem contar o coronelismo ainda muito aplicado em algumas regiões -, pode ser considerado alguém PREPARADO para ocupar cargos tão importantes quanto ocupa atualmente e visualiza no futuro?
Como vê, a fofoca (caso seja) é o MENOR dos problemas aqui em relação à Aécio. Só espero que seus defensores não se aproveitem disso para “pintá-lo como SANTO”, pois isso, amigo, é algo que o SEU governador (pois MEU não é, faço parte dos 30% que NUNCA votaram nele)não é MESMO. Como também não são Serra, Dilma,Sarney, Collor,Lula (até hoje não sei se escrevo o nome deste último com 1 “L” ou 2… está tãooo igualzinho…)e tantos outros. mas só tenho visto tentarem “pintar” o tucano MINEIRO. E acho que já passou da conta o exagero.
No mais, grande abraço,
Renato Mello
O que esperar de um petralha como o Ricardo Berzoini?
Não se trata de uma “fofoca”, ou um “boato”, e sim de um relato feito pelo jornalista Juca Kfouri, um dos mais tarimbados e respeitados do País, que já dirigiu revistas como Playboy e Placar, já trabalhou na Globo, TV Cultura e hoje está na ESPN Brasil, tem coluna na Folha de São Paulo (principal jornal do País), e todo um histórico de denunciar os poderosos e seus podres principalmente do esporte, e no passado já foi um crítico feroz da ditadura no Brasil e em outros países da América do Sul. Publica em seu blog também críticas ao governo Lula.
Kfouri publicou a nota em seu blog e a ratificou mesmo após o desmentido da assessoria do governador. Não a publicou como “boato” ou “ouvi dizer”. Publicou como fato ocorrido: “Aécio Neves deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante” (que pode ser ou não ser sua namorada “oficial”, vá saber).
Quanto a Noblat… bem, o seu posicionamento político é bem conhecido, e sabemos que ele não ia querer expor o governador de Minas a uma situação desfavorável.
Se o fato ocorreu diante de várias testemunhas, envolvendo uma figura pública, e somente 1 jornalista o denunciou, então temos 2 cenários: ou o jornalista está mentindo, ou existe uma cortina de silêncio e uma blindagem do restante da imprensa para preservar o presidenciável governador.
Juca Kfouri, para mim e para muitos outros, tem mais credibilidade do que qualquer político brasileiro. Portanto, aposto na 2ª opção.
Aécio Neves pediu licença e foi dar um tapa. Volta logo.
Aécio Neves manda a assessoria dispensar a fila de masoquistas na porta do palácio.
Outra Falácia, Argumentum ad Verecundiam - Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa. Exemplo de Argumentum ad Verecundiam - “Se Aristóteles disse isto, então é verdade.” Invés do filósofo podemos usar um jornalista de “peso”.
Mesmo exemplo que deu Galileu no seu texto “Ipse Dixit”, se Aristóteles disse algo não quer dizer que seja verdade em consequência, vá lá e verifique os fatos! E olha que esse ensinamento é mais que antigo hein!
Segue o pequeno texto para os que se interessarem:
GALILEI, Galileu [1564-1642]. Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo [1632]
[1] SAGREDO: — Encontrava-me um dia na casa de um médico muito estimado em Veneza, onde, alguns pelo estudo e outros por curiosidade, muitos se reuniam às vezes para assistir às dissecações anatômicas pelas mãos de um prático anatomista, tão douto quanto diligente.
[2] E esse dia aconteceu de se investigar a origem e nascimento dos nervos, em torno da qual é famosa a controvérsia entre médicos galenistas e peripatéticos. O anatomista, ao mostrar como o enorme feixe de nervos partia do cérebro, passava pela nuca e estendia-se pela espinal, espalhando-se pelo corpo todo, e que somente um fio finíssimo chegava ao coração, voltou-se para um gentil-homem que sabia ser filósofo peripatético, disse que em função da sua presença havia com extraordinária diligência descoberto e mostrado tudo e perguntou-lhe se ele reconhecia que a origem dos nervos partia do cérebro, e não do coração.
[3] O filósofo, depois de se mostrar um tanto em dúvida, respondeu: “Fizeste-me ver coisa tão clara e sensata que, se o texto de Aristóteles não dissesse abertamente o contrário, que os nervos nascem do coração, seria forçado a considerá-la como verdadeira.”
[4] SIMPLÍCIO: — Senhores, quero que saibais que esta discussão sobre a origem dos nervos não está absolutamente esgotada e definida, como talvez alguém acredite.
SAGREDO: — E nunca estará segura, com semelhantes interlocutores; mas o que dizeis não diminui em nada a extravagância do peripatético, que contra tão sensata experiência não trouxe outras experiências ou razões de Aristóteles, mas somente a autoridade e o puro Ipse dixit [latim: “Ele afirmou”]…
[5] SIMPLÍCIO: Eu creio, e em parte sei, que não faltam no mundo cérebros muito extravagantes, cuja própria vaidade não deveria redundar em prejuízo de Aristóteles, de quem, me parece, falais às vezes com muito pouco respeito; e a simples antigüidade e o grande prestígio que adquiriu na mente de tantos homens insignes deveriam bastar para fazê-lo digno de admiração entre todos os literatos.
[6] SALVIATI: Os fatos não se passam assim, Senhor Simplício: são alguns de seus seguidores mais pusilânimes que dão ensejo ou, melhor dizendo, dariam ensejo a que fosse menos estimado, se nós aplaudíssemos as suas leviandades.
[7] Por acaso duvidais de que se Aristóteles visse as novas descobertas no céu ele não mudaria de opinião, para emendar os seus livros e aproximar-se das doutrinas mais sensatas, afastando de perto de si aqueles tão pobrezinhos de espírito que muito pusilanimemente se propõem a defender qualquer dizer seu, sem entender que se Aristóteles fosse como eles imaginam teria um cérebro indócil, uma mente obstinada, um ânimo cheio de barbárie, uma vontade tirânica que, considerando todos os outros como estúpidas ovelhas, quereria que os seus decretos se antepusessem aos sentidos, às experiências, à própria natureza?
[8] Foram os seus seguidores que deram autoridade a Aristóteles, e não ele que a usurpou ou tomou; e porque é mais fácil se cobrir com o escudo de um outro que se mostrar com o rosto descoberto, temem e não se arriscam a se afastar um só passo, e, em vez de colocar alguma alteração no céu de Aristóteles, querem impertinentemente negar aquelas que vêem no céu da natureza.
[Fonte: http://edsongil.wordpress.com/2007/09/08/galileu-1
Eu achei bom seu texto e convincente, só acho errado mandar a conta pro PT por causa do Berzoini.
Esse boato é coisa de Serrista, partiu do Juca Kfouri que a esposa trabalha com o Serra, ou trabalhou e do Jorge Kajuru que tem problemas pessoais com o Aécio, mas é apadrinhado do Ronaldo Caiado do DEM, que eu saiba, setor do DEM que é Serrista ferrenho e que quer a vice presidência e por isso gostaria de prejudicar o Aécio.
Então basta olhar a origem da fofoca e ver que o PT nada tem a ver com a história, mas como o PSDB quer blindar essa briga interna, joga a culpa no PT, cometendo o mesmo erro dos fofoqueiros.
Cara, falar que o noblat sempre entrevista as pessoas e certifica suas fontes antes e ser ingenuo, na minha opiniao.
Eu tambem sigo o noblat no twitter e direto ele faz coisas desse tipo. No entanto, ele claramente tem uma posicao politica (nao acho isso errado) e a defende. Querendo defender o Aecio, ele foi atras das fontes para desmentir o fato. Basta ver as mensagens dele e ver se ele faz o mesmo com o Lula ou outro politico que de uma linha ideologica diferente da dele, nao faz.
Entao, vamos tomar cuidado com a “imparcialidade” dos “jornalistas”. Kfouri x Noblat, qual deles eu devo acreditar? Rsrsrs
“Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa. Exemplo de Argumentum ad Verecundiam - ‘Se Aristóteles disse isto, então é verdade.’ Invés do filósofo podemos usar um jornalista de ‘peso’.”
Meu caro, seu contorcionismo pseudo-filosófico não cabe neste caso. Não se trata de uma argumentação, e sim de uma narrativa, um fato presenciado por uma pessoa. Essa pessoa diz que este fato ocorreu. A outra diz que não ocorreu. É a palavra (testemunho) de uma contra a outra, não há argumentação, não há juízo de valor. Não havendo provas que sim ou que não, é impossível saber ao certo a realidade. Aí é que entra a reputação. Entre o testemunho de uma pessoa com boa reputação e uma com má reputação (no meu ponto de vista), vou confiar na pessoa de boa reputação.
Sua linha de raciocínio talvez tivesse lugar se Juca Kfouri, por exemplo tivesse dito que Aécio Neves faz um governo ruim, e aí eu quisesse usar isso como argumento de que o governo Aécio é ruim, “porque Juca Kfouri disse”. Aí é um caso de avaliação, de um juízo de valor.
Pelo seu raciocínio, nenhum julgamento deveria ter testemunha, já que todo testemunho é um “Argumentun ad Verecundiam”: se a testemunha de boa reputação disse, então é verdade.
Ônus da prova manda lembranças para você… O fato [choque de testemunhos] não deita em silogismo. Mas o nosso debate, sim. Seu argumento [defendendo a postura do Juca] baseia-se na credibilidade dele. E só. E isso é seu juízo de valor, como você mesmo disse:
“Entre o testemunho de uma pessoa com boa reputação e uma com má reputação (no meu ponto de vista), vou confiar na pessoa de boa reputação.”
Você, com a liberdade que o direito lhe confere, acredita no Juca e não no Aécio, por sua crença pessoal, sua fé. Eu questiono o método do primeiro. Questiono sobre o critério jurídico e jornalístico.
Um prazer debater contigo. Chama para cá também seu amigo Florêncio que requentou o Baêta no vídeo dele.
A questão é que você está colocando a história toda como “boato” ou “fofoca” quando há por trás de tudo um testemunho de um jornalista com reconhecida reputação nacional. É mais uma denúncia do que um boato ou fofoca (cuja origem não se sabe apurar). Uma denúncia sem provas, ou pelo menos sem provas até o momento.
Não disse em nenhum momento que “é verdade porque Juca Kfouri diz”. Acredita quem quiser. E entre a palavra de Juca Kfouri e a de Aécio Neves, eu fico sempre com a de Juca Kfouri. Não por fé, e sim pela reputação construída pelo jornalista ao longo de décadas, contra a de um político que persegue jornalistas para tentar manter uma boa imagem.
Conheço colegas jornalistas que foram despedidos pelo nosso governador e imperador Aécio Neves. Os motivos? Todos já sabem. Aqui, em Minas, não se pode ir contra os interesses de manter uma imagem “limpa” do nosso governador. Também já trabalhei para o assessoria do Governador e para a Secom. Meu trabalho era monitorar as notícias referentes ao governo do estado. Percebi de forma clara, principalmente pela pressão, que, nada de negativo, poderia sair na mídia sobre o governo de Minas e sobre o nosso governador. Em determinados jornais, já vi matérias anunciadas nas escaladas e, posteriormente, não sendo veiculadas. Já ouvi afirmações de profissionais de um grande jornal, como: “nosso jornal faz assessoria para o governo de Minas”, “quando quiser ser mandado embora, basta fazer uma crítica ao Aécio”. Isso é muito triste. Apoiar esse governador é ingenuidade, pois todos sabem o que ele faz aqui, ou, é possuir interesses particulares em caso de triunfo do nosso imperador.
Uma pena você não formalizar a denúncia. É uma acusação séria.
As acusações sobre a perseguição de jornalistas por Aécio já estão fartamente fundamentadas, documentadas e à disposição de todos na internet.
É muito simples: o governo do Estado controla a gorda verba publicitária do próprio governo e das estatais (leia-se CEMIG). Sem a verba publicitária estatal, a grande imprensa não consegue pagar suas contas. Basta uma pressão do governo para que o órgão de imprensa se livre do jornalista “criador de problema”.
Claro que vai ser difícil provar que o jornalista foi demitido por pressão do Planalto. Quem faz esse tipo de sacanagem não deixa provas.
Quem acha que tudo é boataria e conversa fiada ignora o fato de que ninguém escuta falar que tal jornalista foi demitido por pressão do Lula, por exemplo. Ou que tal jornal é perseguido pelo governo Lula. Por que a gente só escuta o nome do Aécio envolvido com essas coisas?
Mas não dá pra discutir com fanático.