Gabriel de Azevedo disse:

De árvores, montanhas e o autoritarismo de sempre

Mais uma vez, resolvo responder um texto do Professor Massote. Dessa vez, ele inova e resolve tecer comentários sobre o “Estado de  Minas”. Para ler o artigo “HONDURAS: A ÁRVORE E A FLORESTA DA CRISE, Fernando Massote”, clique aqui. Segue minha resposta:

Escrevo para discordar do seu artigo publicado em seu blog, no último dia 26, com críticas ao texto do Professor Sacha Calmon, publicado pelo Jornal “O Estado de Minas”, no último domingo, sob o titulo “Os ditados populares”, no qual ele faz uma análise sobre as questões legais e constitucionais que ensejam na deposição do Presidente de Honduras Manoel Zelaya.

Inicialmente, vale destacar, mais uma vez, que não tenho aqui procuração para fazer a defesa dos posicionamentos políticos e dos jornais “O Globo”, “Folha de S. Paulo” ou “Estado de Minas”. Conheço o Professor Sacha Calmon. Além de coordenador de curso de especialização na minha Faculdade de Direito, a filha dele foi Diretora do Departamento de Relações Públicas na gestão que presidi no Diretório Acadêmico Orozimbo Nonato. Ele, inclusive, participou de um evento organizado em minha gestão denominado “Pensando o Brasil”, onde palestrou o tema “Reforma Tributária”, dado renome e especialização profissional. Não tive a honra de ser aluno dele ainda. Deixo tudo isso claro, para se evitar que esses dados sejam apresentados como tréplica posteriormente.

O que me motiva é compreender melhor uma atitude que, sob a capa progressista, esconde, em minha opinião, um forte viés autoritário, o mesmo que me fez, há tempos atrás, como estudante de comunicação interessado no tema, a pesquisar os seus textos publicados no jornal “Estado de Minas”.

Escrevo-lhe por duas razões:

1 – Não consigo entender e acho que depõe contra o senhor a forma irônica com que se refere ultimamente ao Jornal “Estado de Minas”. Se essa sempre tivesse sido a sua posição, vá lá… Mas o fato é que até pouco tempo atrás o senhor foi assíduo colaborador do jornal. Nos anos em que para lá escreveu o senhor certamente o considerava um excelente veículo, caso contrário, não teria colaborado com ele durante vários anos. Mais ainda, mostrando o orgulho da sua participação, o senhor chegou a publicar um livro que considerava os seus melhores artigos, publicados justamente pelo jornal do qual agora zomba.

É público e notório que, como parte de uma ampla reformulação do quadro de articulistas, a sua colaboração foi interrompida junto com a saída de outros colaboradores, como o jornalista Ângelo Oswaldo, e outros articulistas, como o professor e ex-assessor do Ministro Patrus Ananias, Mauricio Lara chegaram ao jornal.

A idéia de que enquanto o jornal publicava os seus textos era bom e ao deixar de fazê-lo tornou-se ruim é, no mínimo, uma afronta à inteligência dos seus leitores. Acho que, por coerência, o senhor devia manter uma outra postura diante do jornal.

2 – Discordo também da forma como o senhor tratou o Professor Sacha Calmon, no qual também revela um tom autoritário. Veja que curiosa essa sua fala sobre o artigo do professor: “quem lê com serenidade crítica o insigne articulista se dá conta facilmente, que o que mais falta ali é objetividade…”.

No entanto, vejo alguns artigos seus publicados no “Estado de Minas” e passo a refletir sobre eles. Em um deles, o senhor qualifica Mao Tse-Tung como “figura fascinante”, apesar do assassinato de milhões de pessoas que promoveu na China. Em outro o senhor faz uma defesa apaixonada do regime de Fidel Castro em Cuba, sem nenhuma relativização com relação a censura, aos presos políticos por delito de opinião, a prisão e a execução de homossexuais, entre outras barbáries.

Na minha opinião, o Professor Sacha Calmon poderia facilmente se referir aos seus artigos com as suas mesmas palavras: “quem lê com serenidade crítica o insigne articulista se dá conta facilmente, que o que mais falta ali é objetividade…”.

Além do artigo do professor, o senhor critica a matéria do jornal sobre o mesmo tema e me pergunto: quando o jornal publicou o artigo do senhor sobre o movimento zapatista de Chiapas, com o título “A rebeldia de Chiapas”, senhor considerou normal?

Por que a publicação dos seus pontos de vista – polêmicos para uma grande parcelada população -, no mesmo espaço usado pelo Professor Sacha Calmon, é legítima e, no outro caso, é uma evidência da postura golpista do jornal? Nesse caso, ao publicar os seus artigos a posição do jornal não poderia ser identificada como uma tendência do jornal ao totalitarismo?

Há algum tempo atrás enviei um comentário ao seu blog que o senhor não publicou. Publiquei no meu (www.minasprageral.com) e discordei de algumas pessoas afirmando que não me senti censurado pelo senhor, apenas estranhei que uma pessoa diga defender tanto a liberdade de expressão tenha negado esse espaço para o sempre tão propalado contraditório que, como vemos também aqui é sempre visto com intolerância quando contradiz a opinião do dono do espaço.

Post Scriptum: Chamou-me especial atenção a insistência com que o senhor se mostra incomodado com os títulos acadêmicos apresentados pelo Professor Sacha Calmon. Como o senhor usa do mesmo expediente nos artigos que publica em sites como no Observatório da Imprensa, me pergunto: por que isso o incomoda tanto? Existiria aí uma rivalidade de títulos e honrarias?

postado em 5/08/2009 as 22:09

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